A AFABILIDADE E A DOÇURA


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A benevolência com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura que lhe são a manifestação. Entretanto, é preciso sempre fiar-se nas aparências; a educação e o hábito do mundo podem dar o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja  fingida bonomia não é senão, máscara para o exterior, uma roupagem cuja forma premeditada esconde as deformidades ocultas! O mundo está cheio dessas pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são brandas contanto que nada as machuque, que mordem à menor contrariedade; cuja língua dourada, quando falam face a face se transmuda em dardo envenenado, quando estão por trás.
A essa classe pertencem ainda esses homens benignos por fora e que tiranos domésticos, fazem sofrer, sua família e seus subordinados, o peso do seu orgulho e do seu despotismo, como querendo-se compensar do constrangimento que se impuseram alhures; não se atrevendo a usar autoridade sobre estranhos que os colocariam em seu lugar, eles querem ao menos ser temidos por aqueles que não podem resistir-lhes; sua vaidade alegra-se de poder dizer: “aqui eu mando e sou obedecido”; sem pensar que poderiam acrescentar com mais razão: “E sou detestado”.
Não basta que os lábios gotejem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e a doçura não são fingidas, nunca se contradiz; é o mesmo diante do mundo e na intimidade; ele sabe, aliás, que se pode enganar os homens, pelas aparências, não pode enganar a Deus. (Lázaro, Paris, 1861)
 
 
Fonte: O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. IX- INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS

ESPIRITISMO E SEMANA SANTA

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Muitas dúvidas alimentadas no período da semana santa nos surpreendem, porque na maioria das vezes essas dúvidas e "pasmem", supertições, partem quase sempre de "velhos" espíritas.
Costumamos ver no meio espírita, irmãos de estudo ainda preocupados se devem ou não comer carne, se é lícito a casa espírita abrir na Fexta Feira Santa. É preciso lembrar aos nossos irmãos estudiosos da doutrina espírita que, essas práticas empregadas na semana santa, ligadas aos preceitos ou dogmas da religião católica; A qual respeitamos como qualquer outro direcionamento religioso, contudo esses procedimentos divergem por completo dos ensinos vividos por nós, e que se mostram distantes dos nossos entendimentos. É claro que há todo um contexto histórico da questão provenientes dos hábitos milenares ainda enraizados na mente popular, o condicionamento com datas e lembranças e a obrigação católica de adesão a tais práticas.
Se observarmos bem, nos dias de hoje, o que as pessoas costumam fazer nesses dias chamados Santos?... a maioria planeja e realiza viagens para os locais mais distantes dos grandes centros e lá estando se dedicam a que práticas?
Se debruçam sobre fartas mesas, ornadas com muita comida e bebida, atitudes essas que mais provam nossa ignorância do que qualquer sentimento religioso ou pelo menos respeitoso à data.
Queridos irmãos, o que precisamos mesmo fazer nesses dias que na realidade são dias comuns como todos os outros do ano, é continuarmos nossas tarefas de parendizado dos ditames do Cristo e seguirmos na prática da caridade ao nosso próximo, vez que esse é o objetivo maior da doutrina espírita.
Continuemos nossas missões na casa e na causa espírita, com a certeza que o Cristo permanece vivo e trabalhando em prol da evolução de todos nós.
Se algum irmão nosso católico vier a ler esse artigo compreendam que em momento algum ousamos fazer julgamento ou crítica, mas procuramos esclarecer principalmente os nosso irmãos espíritas que ainda se perturbam ao se perguntarem o que podem e o que não podem fazer ou comer durante os dias da "Semana Santa". Ou somos ou não somos espíritas.
Muita Paz, Luz, Estudo, Compreensão e Prática dos Ensinos do Divino Mestre.

                                                  Pedro Aguiar

Pedir e Fazer



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Você se entrega à oração
e pede socorro do alto.
Roga coragem,
Mas não mobiliza o menor esforço.
Pede ânimo,
mas não toma nenhuma iniciativa.
Busca misericórdia,
mas não abandona o egoísmo.
Suplica paciência,
mas não controla a língua.
Quer paz,
mas não esquece a guerra.
Anseia amor,
mas não evita os rasgos de ódio.
deseja esperança,
mas não renuncia ao pessimismo.
Almeja o perdão,
Mas não aceita sequer uma desculpa.

Orar e pedir ajuda significa fazer pelo menos alguma coisa. Deus socorre com a água, mas cabe a você beber.
                                                    ANDRÉ LUIZ

Do livro: Vivendo o Evangelho
Psicografia: Antônio Baduy Filho. 

AGORA

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Agora, enquanto é hoje, eis que fulgura
O teu santo momento de ajudar!...
Derrama, entorno, compassivo olhar
Estende as mãos aso filhos da amargura...
Repara...aqui e além, a desventura
Caminha ao léu, sem pão, sem luz, sem lar,
Acende o próprio amor! faze brilhar
A tua fé tranquila, doce e pura.
Agora! eis o momento decisivo!...
Abre o teu coração ao Cristo Vivo,
Não permita que o tempo marche em vão.
e ajudando e servindo sem cansaço,
Alcançarás, subindo passo a passo,
A glória eterna da Ressurreição.
  
                                    Auta de Souza

Quantos de Nós?


 
Se alegram por conseguir algo, mas não divide com quem precisa?
Almejam vitórias sem se importar com quem perderá ou perdeu algo para que nos beneficiemos?
Temos no coração a imensa vontade de conquistar alguém, mas nos colocamos como orgulhosos intocáveis.
Não abrimos mão de algo que possuímos até em excesso, porque nosso egoísmo nos proíbe.
Quantas vezes deixamos de dar bom dia a alguém por estarem sujos, fétidos e cobertos de andrajos, sem atentarmos para a sujeira  que envolve  nosso raciocínio nesse instante.
Qual de nós não depende de outras pessoas, e muitas vezes não as procuramos porque são menos importantes que nós.
Por inúmeras vezes contradizemos nossos objetivos verdadeiros, para não ferir o ego doentio de algumas pessoas.
Deixamos passar ao largo, momentos e ações que nos tornariam mais nobres, mas sonegamos uma palavra ou atitude por não determos ainda em nós o dom da humanidade para com o próximo.
Acreditamos que viver é só se alimentar, se vestir, dormir, trabalhar, sem precisar se preocupar com o nosso semelhante que muitas vezes vive ao nosso lado, faminto, desnudo e sem um teto para se abrigar.
Quantas vidas poderemos salvar, se procurarmos educar melhor os que nos cercam, ouvindo-os com atenção, ajudado-os sem julgar e auxiliando-os sem cobrar... 
O amor está presente em tudo que nos rodeia... No sol, nas nuvens, no mar, na brisa que nos massageia o rosto, na chuva que faz brotar nosso alimento...
Estamos sempre virando as costas para o certo, porque nos parece dificultoso demais, sem sequer avaliarmos o malefício que estamos causando a nós mesmos quando optamos por um caminho duvidoso.
Procuramos sentir e viver, uma felicidade que nos adoece, pois para alcança-la, muitas vezes esquecemos que a felicidade é pra ser vivida em grupo, senão se torna demostração de egoísmo e orgulho.
Pensemos bem; quantos de nós ainda não conseguem ver em si a necessidade de ser um ser livre de feridas causadas pelo sentimentos doentios da injúria, egoísmo, orgulho e falta de caridade.
Sejamos nós mesmos, não deixemos que os outros vivam a nossa vida; para isso é preciso que assumamos os deveres e missões aceitos perante Deus, em mais uma passagem pela matéria densa e aprisionante.
Muita Paz e Luz a Todos.
                                                          Josefina
Fonte livro: Vidas em Desalinho
Pelo espírito: Josefina Brito
Psicografia: Pedro Filho

A tríplice função social do Centro Espírita - Parte III

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Templo

Em nossa viagem evolutiva precisamos de estímulos que nos façam sair dos limites da consciência normal e das influências dos hábitos do subconsciente. Isto só é possível de retirarmos o véu que impede o acesso as zonas superiores da nossa psique configuradas no superconsciente, em cujo âmago está a assinatura de Deus. Isto é possível através dos momentos de oração, em preces que pedem, agradecem e louvam, em contemplações que nos fazem perceptivos a unidade fundamental do cosmos, em meditações que nos permitem realizar a ascese espiritual do estágio humano até a percepção unificada em Deus, na busca de vivências de transcendência quando superamos  as barreiras da mente e seu modo de perceber centrado no espaço e no tempo, enfim na experiência do êxtase que nos permite adentrar com consciência o reino propriamente dito da essência.

A função social de templo nos remete ao lugar do sagrado, à experiência do numinoso, à entrada na consciência do permanente, e por conseqüência, a compreensão da sabedoria perene, do deleite no Eterno, no Absoluto, na Plenitude.

Por considerarmos a mais arrojada atividade do espírito, viver o sagrado, é essencial para dinamizar nosso processo evolutivo. Através dela fazemos conexões interdimensionais com os luminares da Verdade, do Belo, do Bem, da Justiça e gozamos   de momentos ditosos que são incomparavelmente superiores aos prazeres até então vividos em sua maioria restritos a uma consciência sensório-emocional. Ainda que não consigamos manter o clima psíquico especial sua presença sutil impregnará nossas atitudes e reorientará nosso sistema de  decisão nas questões humanas do cotidiano.

Ainda que não tenhamos alcançado a mesma desenvoltura nas práticas de templo quando comparadas ao hospital e ao educandário, o que em certo sentido nos sinaliza para nossas dificuldades em ultrapassar o humano em direção à angelitude, realizamos algumas atividades que merecem maior disseminação como as orações introdutórias nas atividades do centro espírita, os círculos de oração à distância, os encontros de práticas meditativas, estes mais raros, a leitura em grupo de textos sagrados, em especial os evangelhos canônicos, os ensaios espirituais através da arte  de qualidade transcendental, as viagens mentais ou imaginativas em direção ao nosso futuro evolutivo e os encontros com líderes espirituais desencarnados através das vivências em desdobramento espiritual ou da mediunidade que orientam a implantação das percepções espirituais elevadas na consciência humana .

Como pretendemos  ultrapassar a consciência mítica e mágica caracteristicamente pré-racional, alijamos de nossas instituições rituais que nos aprisionam nesta fase anterior do desenvolvimento psíquico.  Entretanto ainda não conseguimos ultrapassar com facilidade a nossa estabelecida racionalidade para adentrarmos o reino consciencial intuitivo-afetivo onde vigora a síntese e as experiências de fé que nos dão certeza além dos fatos, referendando o ensino de Jesus a Tomé que dizia serem bem-aventurados os que não viram e creram. Esta limitação nos priva de realizarmos  as  possibilidades entrevistas nas afirmações de que deveremos gravitar em torno de Deus ou de sermos co-criadores do Universo em união com Ele.  O exercício perseverante no templo nos facultará acessarmos a regiões inusitadas da psique e do mundo espiritual, ampliando nosso sentimento de religiosidade até alcançarmos a gênese fenomênica do Cosmos e sua causa primordial.

É evidente que o centro de saúde, o educandário e o templo só existem e realizam a sua missão a contento na medida em que preparam trabalhadores competentes para cada mister. Daí porque é essencial a adequada capacitação do voluntariado espírita em alguma instância do movimento espírita o que usualmente é uma tarefa prioritária das  chamadas atividades federativas. Há porém, que se responder algumas indagações prementes para cultivarmos o progresso do movimento espírita ao tempo que asseguramos a sua unidade substancial. Entre elas destacamos:

Quais os parâmetros utilizados para caracterizar uma atividade espírita?
Como proceder para facilitar o surgimento de trabalhadores compromissados com a cosmovisão espírita e, portanto orientando-se pelos ensinos do Evangelho, capazes de atender as demandas do centro de saúdel, do educandário e do templo?.

Como construir a melhor forma de organização institucional adequada a cada comunidade de espíritas e ao mesmo tempo unificada nos objetivos e princípios espíritas?

E como avaliar se nossas atividades estão congruentes com os objetivos espíritas e alcançam os resultados  que delineamos?

Vale ainda ressaltar que esta divisão de funções é ainda um artifício organizacional  pois elas estão entrelaçadas, formando uma totalidade organísmica, e como tal podem, até certo ponto, serem exercidas simultaneamente.

E mesmo esta descrição das funções não ilustra a totalidade da ação dos centros espíritas  pois seus profitentes podem estar realizando ações espíritas em ambientes de trabalho, nos órgãos de comunicação, em conselhos sociais  etc…

Os que acreditamos  na visão de mundo centrada no espírito e temos nosso oásis evolutivo no centro espírita e em seus órgãos de unificação do pensamento e sentimento devemos levar adiante com redobrado denodo a tarefa de semearmos no mundo esta percepção da realidade que de tão revolucionária demandará muitas transformações pessoais, coletivas e interexistenciais.

O desafio é vasto, a meta é grandiosa, a missão vista através deste prisma é entusiasmante.

Avante pois trabalhadores espíritas. O reino da bem-aventurança é o nosso destino.

Autor: André Luiz Peixinho - Presidente Feeb
Fonte: Feeb.org